Santa Casa de Piracicaba atua neste cenário tendo a prevenção, em seus três níveis, como principal aliada.
Nesta última sexta-feira, 28 de fevereiro, o mundo todo celebrou o Dia Mundial de Combate às LER/DORT – Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho, termos usados para descrever os danos e a dor causados por movimentos repetitivos e pela utilização excessiva do sistema que movimenta o esqueleto humano.
As LER/DORT são as doenças que mais atingem os trabalhadores brasileiros, afetando músculos, nervos, ligamentos e tendões, geralmente em pessoas mais idosas. Os sintomas incluem fraqueza, rigidez ou formigamento na área afetada; e o tratamento pode exigir medicamentos anti-inflamatórios, fisioterapia, avaliação ergonômica e até cirurgia.
“Vale ressaltar que as LER/DORT são classificadas como doenças do trabalho do tipo 2 de Schilling, em que o trabalho é um fator contributivo, porém não necessário ao adoecimento do indivíduo”, disse o médico do trabalho da Santa Casa de Piracicaba, André Gusmão. Isso porque, segundo ele, é muito importante que cada pessoa faça sua própria prevenção contra as doenças osteomusculares através da prática regular de atividade física de alongamento e fortalecimento muscular, assim como a adoção de posturas corretas em sua vida cotidiana. “Está comprovado que a prevenção, em seus três níveis, é a principal ferramenta no combate a essas doenças”, justificou o médico do trabalho.
Ele explica que, através do Laudo Ergonômico implantado na Santa Casa em 2015, a prevenção primária começa com a identificação precoce do risco ergonômico biomecânico que possa estar presente no ambiente de trabalho.
“As melhorias são apontadas pela CER (Comissão de Ergonomia), que promove reuniões com lideranças de setor para discussão do laudo e implementação do plano de ação necessário”, revelou.
Segundo ele, a ação permite melhorias significativas, inclusive, nos postos de trabalho com adequação de mobiliário e layout, a exemplo do que aconteceu com área a de lavagem e a área limpa na Lavanderia Hospitalar.
André Gusmão aponta, ainda, a aquisição de guinchos humanos para os setores de internação, reduzindo o esforço físico para a movimentação de pacientes; a instalação de passantes (transfer), ou seja, pranchas de transferência de pacientes com sistema rolante e deslizante que minimiza o risco de lesões, bem como o esforço físico dispendido pela enfermagem nessas manobras.
“Investimos também no treinamento das equipes para o manuseio correto do paciente sem gerar lesão no trabalhador, e na manutenção adequada da relação funcionários/pacientes, conforme prevê o COREN, de acordo com a complexidade de cada setor, para evitar sobrecarga de trabalho”, complementou.
Na prevenção secundária, Gusmão aponta como principal ferramenta o exame periódico; realizado de forma criteriosa com avaliação de mobilidade articular e realização de testes ortopédicos em todos os trabalhadores, com intuito de identificação precoce de possíveis adoecimentos osteomusculares e indicação de tratamento adequado. Ele finaliza, explicando que a prevenção terciária, por sua vez, consiste na readaptação do trabalhador a um posto de trabalho compatível com possível adoecimento decorrente de uma lesão osteomuscular.
“Agradeço a oportunidade de discorrer sobre um tema tão sensível à saúde dos trabalhadores e à sustentabilidade das empresas, que precisam estar em permanente alerta em relação à saúde de seus trabalhadores”, pontuou Gusmão, ressaltando também a responsabilidade dos próprios funcionários, que devem estar permanentemente comprometidos com a política de segurança da empresa.