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⭐ Piracicaba, 4 de abril de 2025 ⭐

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Semaglutida 2,4 mg reduz inflamação e fibrose do fígado

SEMAGLUTINA

Subanálise avaliou 800 pacientes com gordura no fígado durante 72 semanas; 63% tiveram melhora na inflamação hepática, 37% tiveram melhora na fibrose;

Os resultados preliminares do estudo ESSENCE, divulgados pela Novo Nordisk, empresa global líder em saúde, apontam que a semaglutida 2,4 mg pode melhorar significativamente a saúde do fígado e o controle de condições cardiometabólicas em pacientes com esteatohepatite associada à disfunção metabólica, conhecida como MASH (do inglês Metabolic Associated Steatohepatitis). Essa é uma forma grave de doença hepática causada pelo acúmulo de gordura no fígado, que provoca inflamação e danos ao órgão, muitas vezes relacionada à obesidade e ao diabetes. Atualmente, não existem no Brasil tratamentos aprovados especificamente para essa condição. Trata-se de um estudo de fase 3 realizado em 39 países e que envolve mais de 1.200 pacientes com a doença e fibrose hepática moderada a avançada.

Uma subanálise do estudo acompanhou 800 pacientes durante 72 semanas e constatou que 63% das pessoas tratadas com semaglutida 2,4 mg tiveram melhora na inflamação do fígado sem que a cicatrização do tecido piorasse; enquanto 37% tiveram melhora da fibrose (nome dado ao acúmulo de tecido de cicatrização no fígado como resposta a danos contínuos e responsável por reduzir a capacidade do órgão de funcionar corretamente) em 72 semanas de tratamento. Também se observou uma redução de 40% nos níveis da enzima ALT, que indica danos ao órgão; 30% de redução nos níveis de AST e GGT (enzimas que refletem a saúde do fígado e ajudam a detectar e monitorar doenças hepáticas, como hepatites, cirrose e gordura no fígado); e uma melhora de 40% na rigidez do fígado, o que indica diminuição do acúmulo de tecido de cicatrização, medida por elastografia, indicadores cruciais de saúde hepática.

Além disso, os dados do ESSENCE demonstraram que os efeitos positivos da semaglutida 2,4 mg vão além da saúde do fígado, tendo proporcionado maior controle da pressão arterial e do diabetes tipo 2; redução da hemoglobina glicada (marcador de controle do açúcar no sangue); e significativa perda de peso, o que auxilia no tratamento das condições relacionadas ao diabetes e à obesidade. Os efeitos adversos mais comuns foram gastrointestinais, como náusea e diarreia, e o perfil de segurança foi consistente com os resultados de estudos anteriores, sem novos riscos identificados.

“Com a semaglutida, além de melhorias nos parâmetros do fígado, também observamos controle da pressão arterial, melhor gestão do diabetes, redução da hemoglobina glicada e perda de peso. Estamos finalmente vendo uma terapia sistêmica para uma condição que impacta diversas partes do corpo”, destacou Cristiane Vilela, hepatologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e uma das investigadoras principais do estudo.
Importância do tratamento sistêmico

“O tratamento da esteatohepatite associada à disfunção metabólica com a semaglutida mostrou impactos positivos além do fígado, oferecendo benefícios significativos no controle de comorbidades associadas, como a hipertensão e o diabetes tipo 2. Isso reforça o papel dessa molécula como uma solução potencial para uma condição que afeta milhões de pessoas globalmente e que, até agora, carecia de terapias eficazes”, reforça Priscilla Mattar, vice-presidente da área médica da Novo Nordisk no Brasil.

Apesar dos resultados promissores, a semaglutida ainda não está aprovada para o tratamento da condição no Brasil. Mais dados serão coletados até a conclusão do estudo em 2029.

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