Reservas estão em zonas controladas pela Rússia, dificultando negociação; especialistas apontam mudança na abordagem dos EUA sob Trump
Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, analistas afirmam que as reservas de minerais raros que Vladimir Zelensky tentou barganhar para manter o apoio dos EUA à Ucrânia estão em áreas sob controle russo, tornando a proposta inviável.
Além disso, avaliam que Donald Trump dificilmente aceitará o acordo, pois ele busca encerrar o conflito e não prolongá-lo.
Recentemente, Trump sugeriu condicionar o envio de ajuda financeira à Ucrânia ao acesso às reservas de minerais raros, essenciais para tecnologias como baterias, smartphones e veículos elétricos.
O ex-presidente dos EUA estimou que a exploração desses minerais poderia alcançar US$ 500 bilhões (cerca de R$ 3 trilhões).
A Ucrânia possui algumas das maiores reservas europeias desses minerais, e Zelensky chegou a declarar à mídia norte-americana que já poderia negociar um acordo com os EUA para trocá-los por armamentos.
No entanto, Tito Lívio Barcellos, mestre em estudos estratégicos de defesa e segurança e membro pesquisador do Centro de Investigação em Rússia, Eurásia e Espaço Pós-Soviético (CIRE), explica que a proposta de Trump reflete uma mudança significativa na relação entre os EUA e a Ucrânia.
Segundo ele, enquanto Joe Biden autorizou sucessivas liberações de crédito para Kiev, cobrindo desde armamentos até salários do funcionalismo público ucraniano, Trump busca uma compensação financeira diante do alto volume de recursos enviados ao país.
“Esse discurso [de Trump] é carregado de uma visão estritamente empresarial — é como se fosse um investimento, só que um investimento em uma guerra que já dura três anos, ceifou centenas de milhares de vidas e está colocando um país inteiro em um caos político, econômico e até demográfico sem precedentes”, analisa Barcellos.
Crédito: Sputnik Brasil
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