Desde 2018

⭐ Piracicaba, 5 de abril de 2025 ⭐

[wp_dark_mode style="3"]

Publicidade

“Tarifaço”: como ficam as relações internacionais entre Brasil e EUA?

ABRE_CAPA_a-poselenov_CANVA_04_04_2025-980x551

Presidente Donald Trump prometeu implementar tarifas recíprocas aos países que cobram taxa de importação de produtos norte-americanos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta (2) um aumento significativo nas tarifas de importação, que chamou de “Dia de Libertação”.

Entre as medidas, o republicano confirmou a aplicação de uma taxa de 10% sobre produtos brasileiros.

O chamado “tarifaço” é uma medida prometida pelo chefe de Estado norte-americano, com a intenção de implementar tributação a países que já cobram taxa de importação de produtos estadunidenses.

Diante desse cenário político-econômico, como fica a relação entre Brasil e EUA?

De acordo com Marcelo Godke, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Internacional Empresarial, o Brasil sempre impôs tarifas de importação superiores às aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, sem que houvesse uma verdadeira reciprocidade nesse sentido.

“No cenário internacional, os Estados Unidos, devido ao seu grande poder econômico, sempre preferiram negociar pactos bilaterais em vez de acordos multilaterais. Isso ocorre porque, em negociações multilaterais, seu poder de barganha tende a se diluir”, explica.

Embora exista a Organização Mundial do Comércio (OMC) – uma instituição na qual os Estados Unidos sempre exerceram grande influência, especialmente em questões tarifárias, restrições não tarifárias (como normas fitossanitárias) e direitos de propriedade intelectual – o país nunca deixou de realizar negociações bilaterais paralelas com diversas nações.

“Esse comportamento reflete a estratégia norte-americana no comércio internacional, especialmente em relação a tarifas de importação e exportação”, complementa Godke.

O especialista também lembra que os Estados Unidos sempre foram grandes promotores da globalização.

“No entanto, já se previa um arrefecimento desse movimento, pois o país, em grande parte, arcava sozinho com os custos desse processo.

Diferentemente de outras nações, que impõem tarifas sobre produtos norte-americanos, os Estados Unidos historicamente adotaram uma postura mais aberta em relação à importação.

Esse modelo, no entanto, mostrava sinais de esgotamento, e o momento de sua revisão parece ter chegado”.

Caso o Brasil aumente ainda mais suas tarifas, tal medida não poderá ser considerada recíproca, uma vez que a reciprocidade pressupõe condições equivalentes em ambas as direções.

“Além disso, se o Brasil elevar o imposto – projeto de lei que já tramitou, inclusive com posições favoráveis na Câmara – os Estados Unidos provavelmente responderão com aumentos correspondentes, prejudicando a competitividade dos produtos brasileiros, excetuando-se o agronegócio, que possui um desempenho relativamente melhor”, alerta Godke.

Observa-se, ainda, que países como a China já enfrentam tarifas superiores a 30%, e a União Europeia adota taxas significativamente mais elevadas do que as praticadas pelo Brasil.

“Essa postura poderá, portanto, enfraquecer o poder de negociação do país no comércio internacional, culminando na imposição de tarifas ainda mais altas do que as vigentes atualmente”, completa.

Histórico de medidas da gestão Trump e os impactos para o Brasil:

Na avaliação de Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Internacional e Compliance, as políticas comerciais de retaliação aos protecionismos de terceiros adotadas pelo governo Trump desde janeiro de 2025 têm gerado desafios significativos para o Brasil.

“As tarifas impostas sobre produtos brasileiros, como aço e alumínio, além das ameaças de novas barreiras comerciais, afetam diretamente as exportações brasileiras e podem prejudicar setores estratégicos da economia nacional.

Além disso, a postura mais nacionalista dos EUA exige maior colaboração de países como o Brasil, que precisam buscar diversificar suas parcerias comerciais e fortalecer o mercado interno para diminuir os impactos dessas medidas”.

A seguir, o especialista traz alguns pontos do histórico de decisões feitas pelo mandatário norte-americano:

1) Imposição de tarifas sobre importações de aço e alumínio: Em fevereiro de 2025, o presidente Trump assinou ordens executivas impondo tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio, afetando países como Brasil, México, Canadá e membros da União Europeia.

Essa medida visava equilibrar a balança comercial dos EUA, mas gerou preocupações sobre uma possível guerra comercial global.

2) Tarifas sobre importações de automóveis: Em março de 2025, Trump anunciou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre todos os carros importados, caminhões e principais peças automotivas, como motores e transmissões. Essa decisão aumentou as tensões comerciais globais e afetou exportadores de veículos para os EUA, incluindo o Brasil.

3) Retirada dos EUA do Acordo de Paris: O governo Trump oficializou, pela segunda vez, a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris. Essa decisão levantou preocupações sobre o compromisso global no combate às mudanças climáticas e pode minimizar as iniciativas ambientais internacionais nas quais o Brasil está tentando encabeçar.

4) Ameaça de tarifas a países que compram petróleo da Venezuela: Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre produtos de países que adquirirem petróleo ou gás da Venezuela, classificando-a como “hostil” aos EUA. Embora o Brasil importe principalmente energia da Venezuela, o impacto direto dessa medida sobre o país é considerado limitado.

5) Anúncio de tarifas “recíprocas”: O presidente Trump revelou planos para implementar tarifas “recíprocas” sobre parceiros comerciais dos EUA, visando países com déficits comerciais significativos, incluindo o Brasil. Essa medida busca equilibrar as relações comerciais, mas aumenta o risco de disputas tarifárias.

6) Impactos nas negociações comerciais do BRICS: Durante a presidência brasileira do BRICS em 2025, Trump ameaçou aplicar tarifas de no mínimo 100% aos países do bloco que buscassem uma moeda alternativa ao dólar em transações internacionais. Essa postura aumentou as tensões nas negociações comerciais envolvendo o Brasil.

Fontes:

Fernando Canutto – Sócio do Godke Advogados. Especialista em Direito Internacional.

Marcelo Godke – Sócio do Godke Advogados. Especialista em Direito Internacional e professor da Faculdade Bela Vista. Mestre em Direito pela Columbia University e Doutor em Direito pela USP.

Informações à imprensa
Sobre a M2 Comunicação Jurídica

A M2 Comunicação Jurídica é uma agência especializada nos segmentos econômico e do Direito.

Contamos com diversas fontes que atuam em âmbito nacional e internacional, com ampla vivência nos mais diversos assuntos que afetam a economia, sociedade e as relações empresariais

Publicidade