Ministro do STF afirma que indícios contra Bolsonaro e aliados são sólidos e que caso apresenta gravidade singular, comparado a outros escândalos políticos já julgados pela Corte
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou em entrevista ao portal G1 que a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 33 pessoas é de uma gravidade sem precedentes.
Para Mendes, o inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 é ainda mais sério do que os escândalos do Mensalão e da Lava Jato, que tiveram grande impacto político e institucional no país.
“Aqui é uma coisa muito mais grave, quando se fala de matar o presidente da República, matar o vice-presidente, matar ministros do Supremo, prender outros, fazer uma intervenção… Se formos buscar uma comparação, o Mensalão envolvia corrupção e compra de votos, mas isso aqui é algo totalmente diferente e mais preocupante”, afirmou Mendes.
Julgamento no STF
A Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, será responsável por decidir se a denúncia da PGR terá prosseguimento.
Mendes destacou que o relatório da Polícia Federal (PF), que embasou a denúncia, é “muito sólido” e contém “uma concatenação impressionante de provas”, incluindo vídeos, registros de reuniões e treinamentos de envolvidos na suposta conspiração.
A defesa do ex-presidente Bolsonaro, no entanto, solicitou que os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin sejam impedidos de julgar o caso, alegando que ambos já moveram ações contra ele no passado.
O advogado Celso Vilardi pediu que o plenário do Supremo analise a suspeição dos magistrados antes do julgamento do caso.
As acusações contra Bolsonaro e aliados
Na última semana, a PGR denunciou Bolsonaro e outros 33 aliados por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, grave ameaça contra o patrimônio e liderança de organização criminosa armada.
A pena pedida para Bolsonaro chega a 34 anos de prisão.
Entre os denunciados estão figuras importantes de seu governo, como:
Anderson Torres (ex-ministro da Justiça)
Alexandre Ramagem (deputado federal e ex-diretor da Abin)
Augusto Heleno (ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional)
Almir Garnier (ex-comandante da Marinha)
Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice-presidente em 2022)
Paulo Sérgio Nogueira (ex-comandante do Exército)
O relatório da Polícia Federal, que serviu de base para a denúncia, revelou um plano escrito à mão encontrado no gabinete do Partido Liberal (PL), que detalhava medidas para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.
O documento foi localizado em fevereiro de 2024 com o coronel Flávio Botelho Peregrino, assessor do general Braga Netto.
Impacto político e futuro do caso
O caso se insere em um momento de forte tensão política no Brasil, com o governo Lula lidando com desafios tanto na administração quanto no fortalecimento da governabilidade.
O julgamento da denúncia pode ter grande impacto não apenas no cenário político nacional, mas também nas eleições de 2026, uma vez que Bolsonaro ainda mantém forte influência sobre a direita brasileira.
Com o avanço da investigação e a decisão do STF sobre o andamento do processo, o futuro do ex-presidente e de seus aliados segue incerto, enquanto o país acompanha de perto os desdobramentos de um dos casos mais delicados da história política recente.
CRÉDITO: Sputnik Brasil