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⭐ Piracicaba, 4 de abril de 2025 ⭐

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Piracicaba registra primeiro caso no Brasil de infecção por fungo resistente a tratamento

Foto: Veasey et al., 2025/Anais Brasileiros de Dermatologia

Paciente diagnosticado com o Trichophyton indotineae apresentava micose persistente após viagens pela Europa; diagnóstico foi confirmado por laboratório da USP

O Brasil confirmou o primeiro caso de infecção pelo fungo Trichophyton indotineae, um micro-organismo dermatofítico resistente aos tratamentos comumente utilizados.

O caso foi diagnosticado em Piracicaba (SP), em um homem brasileiro de 40 anos, residente em Londres (Inglaterra), que retornava ao país para visitar a família.

A confirmação foi publicada na revista científica Anais Brasileiros de Dermatologia.

O paciente apresentou uma micose persistente na região dos glúteos e pernas, com manchas vermelhas descamativas e prurido (coceira), que não respondiam aos tratamentos convencionais.

O atendimento inicial foi feito pela dermatologista Renata Diniz, que identificou a resistência do quadro aos antifúngicos tradicionais.

“Logo na primeira consulta eu já estranhei, porque era um paciente jovem, com muitas lesões grandes, disseminadas, e que não tinha respondido a tratamentos fúngicos que usamos de forma corriqueira”, relatou a médica.

Diante da persistência das lesões, a profissional entrou em contato com o dermatologista John Verrinder Veasey, especialista em micologia e coordenador do Departamento de Micologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

A análise do caso foi realizada pelo Instituto de Medicina Tropical da USP, que confirmou a presença do Trichophyton indotineae.

Origem e risco à saúde
O fungo foi descrito pela primeira vez na Índia e, desde então, vem se disseminando por Europa, Ásia e América, embora os registros ainda sejam escassos — muitos casos são subnotificados ou identificados erroneamente.

Apesar de não representar risco à vida, o Trichophyton indotineae preocupa por sua alta resistência aos medicamentos antifúngicos, especialmente ao terbinafina, um dos tratamentos mais comuns.

Embora existam opções de medicamentos alternativos, o fungo tende a retornar após o fim do tratamento, o que pode dificultar a cura completa.

“Ele é um fungo que se desenvolve na pele, não espalha para dentro do corpo, não vai levar a uma deterioração além das lesões cutâneas. O grande problema dele é a resistência ao tratamento”, destacou a dermatologista.

Como se prevenir?
A transmissão ocorre, principalmente, pelo contato direto com a pele infectada ou com superfícies contaminadas (como toalhas, roupas e pisos úmidos). Para reduzir o risco de contaminação, especialistas recomendam:

Evitar o compartilhamento de objetos de uso pessoal

Manter a pele limpa e seca

Evitar andar descalço em locais públicos úmidos, como vestiários e academias

Procurar atendimento médico ao identificar lesões cutâneas incomuns e persistentes

O caso acende um alerta para profissionais de saúde, que devem estar atentos à possibilidade de infecções fúngicas resistentes e considerar análises laboratoriais mais específicas em casos não responsivos ao tratamento convencional.

📷 Caso registrado em Piracicaba reforça importância do diagnóstico preciso em doenças dermatológicas resistentes

 

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