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⭐ Piracicaba, 4 de abril de 2025 ⭐

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João Carlos Goia

Gerente do Senac Piracicaba, jornalista pós-graduado
em mídias e mestre em educação

O que (realmente) existe de novo em 2020?

Se existe algo positivo proporcionado pelo Isolamento Social, a partir da atual pandemia, acredito ser o processo de autorreflexão que nos foi imposto.

Reorganizamos nossas vidas para atuar em home-office e com isso ganhamos tempo que antes era ocupado com transito, preparo para sair de casa, participação em eventos, viagens, idas as compras, que também acabaram se tornando virtuais, entre outras.

Neste processo, presos em nosso microuniverso e observando o que acorre em todo planeta, somos impelidos a refletir sobre a forma de vida da sociedade atual e seus impactos.

Sem minimizar as milhares de vidas ceifadas pela covid-19, o que certamente lhe garante a classificação de tragédia mundial pós segunda guerra, bem como o caos econômico que afetou todas as empresas e famílias nos cinco continentes, a pergunta que gostaria de deixar aqui, que pode soar até como provocativa é: O que realmente aconteceu de novo em 2020?

Calma, muitas respostas poderão ocorrer, de acordo com o ponto de vista e situação social de cada um, mas lanço a questão especificamente ligada a duas frentes: o mundo do trabalho e a educação.

Pensando nesses dois segmentos, afirmo categoricamente que estamos nestes meses corridos de isolamento social, apenas antecipando o que já estava por vir.

Tanto o home office nas empresas quanto o ensino remoto nas escolas já aconteciam e acontecem, pois são possíveis e existe tecnologia e infraestrutura disponíveis para ambos há muitos anos, inclusive, pesquisas apontam que pelo menos 40% da força de trabalho hoje não retornará as atividades presenciais, mesmo após erradica a pandemia, bem como todas as instituições de ensino, já apostam num modelo híbrido no tão falado “novo normal”.

Falando especificamente sobre educação, que é minha principal área de atuação, soa estranho dizer que estamos transportando nossos alunos para o universo digital desde março deste ano.

Explico: excluindo os imigrantes digitais, nascidos antes de 1988, todos os demais são nativos digitais, ou seja, foram concebidos, vieram ao mundo e já cresceram neste ambiente, sendo assim, nós é que não estávamos lá, eles sim e, nos esperando há tempos.

A mudança de mindeset (modelo mental), tanto das instituições educacionais e seu atores, quanto das empresas e de todos os trabalhadores, precisa evoluir e rápido.

Estamos muito aquém da curva de evolução da tecnologia, ou seja, enquanto nossa vida e todos os ambientes são invadidos diariamente por soluções digitais, que modificam, conectam, automatizam nossas operações e experiências, nosso cérebro reluta e resiste a aceitar essa nova forma de estudar, trabalhar, produzir e viver.

Só para citar um exemplo, há décadas falamos que toda e qualquer empresa, independente do segmento, precisa ter uma identidade digital e se possível fazer e gerar negócios. Então, qual o sentido de precisarmos de um isolamento social para que isso aconteça?

Da mesma forma, observamos os números da educação a distância crescer anualmente e já temos tecnologia para desenvolver de forma remota um percentual considerável de qualquer curso ou modalidade.

Mais uma vez a pergunta que não quer calar: Porque esperamos por uma pandemia para utilizarmos essas possibilidades?

Venho debatendo essas tendências em meus artigos e participações em eventos e reuniões ligadas a empregabilidade há anos, claro, muito inspirado nos mestres que apontam esses caminhos há muito mais tempo, como Bauman em seu conceito de modernidade líquida, Harari em seus debates sobre os desafios impostos e as lições do século XXI e, claro, acompanhando pesquisas e experiências do universo tecnológico, principalmente em centros de referência de países como EUA, China, Coreia do Sul, Japão, Taiwan, Tel Aviv, índia, Singapura, entre outros.

Para finalizar e voltando a 2020 e a pandemia vigente, gostaria de apresentar mais uma máxima que determina que nunca devemos desperdiçar as oportunidades que uma crise pode proporcionar, neste caso e ano, a covid-19.

Se sairmos dessa experiência, da mesma forma que entramos, algo está muito equivocado com a humanidade.

Precisamos aprender com o novo, com o diferente e inusitado sempre. Se a vida on line, o trabalho, os estudos em casa podem gerar benefícios, como melhorar o meio ambiente, o trânsito, reduzir custos, facilitar a vida das pessoas, já teremos ai um saldo positivo de toda essa experiência.

Claro que temos inúmeros desafios, principalmente no Brasil, para minimizar os impactos sociais e melhorar consideravelmente a exclusão digital, por isso, não é hora de ficar parado esperando o antigo normal regressar, pois isso não mais acontecerá.

É hora de fazermos as coisas aconteceram com as possibilidades e limitações disponíveis. Façamos então.