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⭐ Piracicaba, 3 de abril de 2025 ⭐

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Foto de João Carlos Goia

João Carlos Goia

Gerente do Senac Piracicaba, jornalista pós-graduado
em mídias e mestre em educação

Não comece 2021 Esperando Godot

Os mais aficionados pelas artes cênicas deverão iniciar a leitura deste artigo, pensando obviamente, tratar-se de alguma análise ou conteúdo ligado a imortal obra do dramaturgo Irlandês Samuel Beckett, que a partir de seus 2 personagens, Vladimir e Estragon, nos passam a sensação de uma espera infinita e sem sentido, por Godot, talvez alguém ou algo que virá modificar a rotina melancólica e angustiante que os dois se encontram.

Pois bem, citei a obra para tecer uma analogia com inúmeras situações que pautam nossas vidas. Passamos muito tempo esperando que algo aconteça, sem necessariamente sermos os agentes da mudança.

Esperamos uma promoção, um momento mais tranquilo na vida, uma nova oportunidade, um novo amor, enfim, passamos de certa forma, boa parte de nossas vidas esperando algo, alguém, um milagre, um Godot para nos salvar.

Com a atual situação econômica do país, devido a pandemia e isolamento social vigentes há quase 1 ano, vivenciamos uma crise sim e precisamos ser realistas para enfrenta-la.

O status vigente gera desemprego e desacelera o país, mas também se retroalimenta e ganha força no fator psicológico, no medo, na prostração, na interminável espera por Godot.

Godot neste caso poderia ser as medidas que deveriam ser tomadas pelos governos, como auxílio financeiro, as cidades entrarem na cor verde no Plano SP, liberando assim 100% das atividades, ou ainda, a salvadora vacina, que agora é realidade e está mais próxima.

Se todos tivéssemos ciência de que também somos responsáveis por qualquer crise, seja deixando que se instale ou mesmo nada fazendo para combate-la, já teríamos provavelmente uma nova postura para o enfretamento que se faz necessário.

Quais opções temos neste momento? Sentarmos tranquilamente em nossos sofás ou fazermos algo a respeito? Particularmente prefiro a segunda, porém destaco aqui que não estou sugerindo que todos se exponham e saiam as ruas por qualquer motivo ou sem necessidade, num momento de pandemia vigente como enfrentamos, mas falo de ações, que podem ser realizadas inclusive, dentro de nossas próprias casas.

Importante nos atentarmos que as crises são sempre cíclicas, repetitivas e nos apresentam o benefício da mudança, tal qual como a crisalida, casulo que abriga a lagarta até que se transforme em borboleta. Ali dentro, naquele pequeno período de tempo, ocorre uma profunda crise, que gera uma transformação magnifica.

Então, porque não aprendemos com esses pequenos milagres de Deus e da Natureza, como nos portar diante das crises ou dificuldades, que mais cedo ou mais tarde virão? A Covid-19 será superada e faz-se necessário que aprendamos muito com essa experiência, para que possamos evoluir e nos prepararmos para outros desafios como este.

Retomando as nossas ações necessárias para nos colocarmos em movimento, destaco algumas que podem ajudar de alguma forma, dependendo da situação e status de cada um de vocês: Revisar recursos e gestão, pois diante de cenários limitadores, tanto em casa, quanto no trabalho, faz todo sentido.

Trata-se da dinâmica de simplificar e desburocratizar processos, de se gastar melhor e com o que é estritamente necessário; Modificar as estratégias, ou seja, analisar e agir diretamente sobre a relação da realidade atual versus o objetivo a ser alcançado.

Pensar o presente para garantir o futuro. Focar, refazer mil vezes sua análise Swot se for preciso, pois em cenários conturbados, ela poderá mudar semanalmente; Desenvolver e/ou aprimorar competências da liderança, pois ela pode te levar ao movimento e implementação de ações baseadas em uma visão positiva.

Nunca deixar do sonhar, de ter objetivos claros e desafiadores; Pensar em seu cliente final sempre, ou seja, entender cada vez mais as necessidades, os desejos dele e cuidar do mesmo, incluindo a pós-venda, seja na sua empresa, ou em algum outro segmento que esteja empreendendo; Inovar, fazer diferente, seja criando um novo produto ou mesmo aprimorando a gestão.

O mundo corporativo nunca foi tão darwiniano como hoje. As empresas precisam se adaptar sempre e rápido, se reinventar e nosso ambiente pessoal da mesma forma; Por fim, ter postura, que poderia ser o primeiro dessa lista, pois determina a forma como vamos nos comportar diante de um cenário de adversidade. Iremos nos sentar na sarjeta e chorar ou desenvolveremos a boa esperança, o otimismo?

Creio que seja a hora exata de nos transformarmos em seres de ação. Se quer mudar algo, comece a fazer qualquer coisa a respeito desde agora. Se ficar apontando o dedo e procurando os culpados, provavelmente não verá nenhuma mudança significativa e positiva acontecer.

Pensar estrategicamente é buscar conciliar o mundo real com o desejado, sabendo-se que quando lá chegarmos, deveremos continuar a busca, pois tudo já foi alterado ao nosso redor, como vem sendo, principalmente desde março de 2020.

Se não agirmos, ficaremos em inércia, tal qual Vladimir e Estragon, trecho inicial de Esperando Godot que transcrevo abaixo:

Estrada, árvore, à noite. Em cena Estragon e Vladimir. Aparentemente esperam um sujeito de nome Godot. Nada é esclarecido a respeito de quem é Godot ou o que eles desejam dele. Os dois iniciam longo diálogo. O segundo ato desenvolve a mesma dinâmica. O cenário é o mesmo, apenas a árvore está um pouco diferente, agora com algumas folhas. Estragon e Vladimir iniciam sua jornada na espera de Godot. Após muito tempo, aparece um garoto anunciando que Godot não virá, talvez amanhã. O diálogo final, que encerra o ato e a peça é o seguinte:

Vladimir: Então, devemos partir?

Estragon: Sim, vamos.

Eles não se movem.