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⭐ Piracicaba, 4 de abril de 2025 ⭐

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João Carlos Goia

Gerente do Senac Piracicaba, jornalista pós-graduado
em mídias e mestre em educação

Como a pandemia acelerou o processo de transformação da educação

Se existe algum fator que podemos considerar extremamente impactado pela pandemia, este é a aceleração da virtualização dos formatos educacionais, que já estava em curso há muitos anos e, cedo ou tarde, seria concretizada.

Podemos afirmar isso de forma categórica, pois desde a criança da internet na década de 90, foi sempre muito marcante e expressiva a contribuição das novas mídias e canais de comunicação para a sociedade, que hoje, o avanço tecnológico não se limita apenas a produtos segmentados das diferentes cadeias produtivas da indústria e comércio, da veiculação de informação, ou apenas a favor dos preceitos da indústria cultural.

O infinito conteúdo disponível em rede e as cada vez mais aprimoradas possibilidades de interação e produção digitais invadiram há muito todas as instâncias sociais, o mundo corporativo e, acabaram ainda por interferir, contribuir e até subverter a forma como interagimos socialmente. Claro que a educação não ficou fora deste processo.

Resumindo: passamos boa parte de nosso tempo em contato com aparatos audiovisuais, principalmente os celulares, que exibem conteúdos das mais diferentes naturezas, seja no trabalho, em casa, nas escolas, na rua e até mesmo em espaços públicos.

Esses novos canais de comunicação e ferramentas tecnológicas permitiram não somente uma troca de informações muito mais rápida e fácil, como também, possibilitaram o surgimento de um novo ambiente midiático, excelente para produção de conteúdo, discussão e veiculação de informações.

Pois bem, chegamos a 2020, um ano marcado por inúmeros desafios devido a disseminação da Covid-19 e, neste contexto, fez-se necessário que a educação, a escola e, principalmente, o professor acelerassem o processo de imersão no universo digital, que poderia ter ocorrido há muito tempo, considerando o ambiente instalado que acabei de descrever.

Sendo assim, não deveríamos olhar para o processo educacional, baseado em formatos remotos, principalmente por meio de atividades síncronas (em tempo real), como algo diferente ou desafiador, mas sim, como mais um arsenal de ferramentas que já deveriam ser utilizadas a favor do desenvolvimento dos alunos.

Hoje já nos é comum e temos números expressivos de instituições e de alunos matriculados e em processo de desenvolvimento contínuo nos cursos considerados de natureza digital e realizados a distância (EAD). Tempo e espaço virtuais são sentidos e vividos de outra maneira do que são no mundo físico e o próprio contexto presencial altera-se nesse processo evolutivo.

No Senac, por exemplo, já atuávamos com as duas modalidades de educação, tanto a presencial, quanto a EAD e, desde 2018, de forma remota, através da ferramenta Microsoft Teams, com nossos alunos do Ensino Médio Técnico em Informática.

Dessa forma, temos esses jovens, desenvolvendo todas as competências necessárias para ampliar as áreas de conhecimento obrigatórias da Base Nacional Curricular, juntamente com as competências técnicas da informática. Universo este onde todo material de estudo, bem como, entregas de trabalhos, projetos, reuniões, produção em grupo, já ocorrem de forma virtual.

Este é o caminho para o “novo normal” da educação, um modelo híbrido, totalmente em sintonia com uma sociedade motivada pelo estímulo visual, pela conectividade e pelo uso, por vezes excessivo, da tecnologia.

Os educadores que não tiveram resistência em reinventar-se neste momento, certamente darão um salto, unindo toda sua experiência em sala de aula, adaptada aos inúmeros recursos digitais disponíveis na atualidade, criando assim, uma nova linha de possibilidades, entendendo que no segmento educacional, os conceitos de virtualidade e interação, acelerados consideravelmente a partir de março deste ano, inicialmente implementados como solução emergencial para contornar o isolamento social, vieram para ficar.

Independente de termos superado a pandemia num futuro breve, usemos a experiência social vivenciada em 2020 e a tecnologia a nosso favor, como uma ferramenta, uma extensão, mas claro, entendendo que a cadeia de relacionamentos e interações sociais jamais serão substituídas, afinal, estar presente (não apenas virtualmente) é imprescindível.