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⭐ Piracicaba, 4 de abril de 2025 ⭐

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João Carlos Goia

Gerente do Senac Piracicaba, jornalista pós-graduado
em mídias e mestre em educação

A próxima curva

Para começarmos esse breve artigo, gostaria de colocar algumas questões para autorreflexão: Nos últimos anos você tem se preocupado com os rumos do mercado de trabalho? Acredita que haverá emprego para todos no futuro? Fica em dúvida sobre qual caminho de qualificação ou formação trilhar? Já se perguntou o que acontecerá com as pessoas e empresas nos próximos anos, considerando a exponencial e veloz evolução tecnológica? Como estará e será a economia pós isolamento social?

Bem, se respondeu sim para uma ou mais das questões, fique em paz. Todos estamos preocupados continuamente com as transformações em rumo, principalmente atenuadas neste momento pela Covid-19, mas é preciso antes ter clareza de que, somos nós que aqui estamos realizando o presente, que também teremos a possibilidade de desenhar e construir esse futuro, tido como tão incerto.

Para minimizar esses impactos e não entrarmos em estado de exagerada preocupação, que se aproxima do desespero, ou ser tomado pela letargia, via de regra provocada pelo desconhecido, precisamos antes de qualquer tomada de decisão, entender, reconhecer, diagnosticar o meio em que estamos inseridos e a cultura ou dinâmica social vigente, inclusive, analisando o atual isolamento social, bem como a vida conectada e virtualizada além do normal.

No intuito de auxiliar esse processo reflexivo, quero retomar o termo VUCA, que apesar de muito explorado e utilizado ultimamente, nunca antes essa palavra em forma de acrônimo de origem americana, que significa: Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity fez tanto sentido (traduzindo: Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade).

Essa estratégia teve origem nas forças militares na década de 90 e, há algum tempo, foi apropriada pelo meio corporativo, pois consegue traduzir e conceituar minimamente as transformações em curso.

A letra V de Volatilidade, pressupõe que em nosso mundo atual, tudo muda muito rápido e de forma imprevisível, vide o que estamos passando e que virou o mundo de ponta cabeça neste momento.

A letra U traduzida, significa incerteza e indica que desconhecemos as consequências vigentes, portanto, elevamos nosso estado de insegurança, sendo assim, não se aflija se não tem nenhuma certeza ou pensamento formado sobre o que virá depois dessa pandemia.

O C é Complexidade, representando que tudo está interconectado e de formas múltiplas.

Por fim, o A de Ambiguidade, apresenta um cenário onde não existem respostas únicas, claras e simples.

Quero dar ênfase a essa tal ambiguidade, pois por meio de sua aplicabilidade, podemos nos mover em direção às novas possibilidades e oportunidades ainda não vislumbradas ou exploradas.

Se vivemos em um mundo de VUCA, afetado drasticamente pelo coronavírus, como realizar planejamentos ou previsões a médio e longo prazo? Como nossas instituições poderão continuar a ter sucesso ou ser relevantes num futuro próximo?

Talvez a frase emblemática de Peter Seng, renomado autor de best sellers e conceitos de aprendizagem organizacional, prevendo como devem comportar-se as empresas num cenário de transformação como vivemos hoje, consiga responder parcialmente essas angústias.

Seng diz:

As organizações que aprendem são aquelas nas quais as pessoas aprimoram continuamente suas capacidades para criar o futuro que realmente gostariam de ver surgir.

Segundo a consultora organizacional Françoise Trapenard, devemos observar a biologia, pois a vida se perpetua quando é capaz de se multiplicar e se adaptar ao meio e, analogicamente, as organizações se mantêm vivas e relevantes, quando são capazes de se desenvolver internamente, adaptando-se às mudanças do mundo que a rodeia, neste caso, o mundo VUCA e, para tal, precisaremos de líderes capazes de interpretar as rápidas e exponenciais transformações do mundo, bem como, implantar e desenvolver culturas organizacionais alinhadas e adaptativas.

Finalizando, compartilho também um conceito que entendo ser muito relevante para o momento, que foi traduzido a partir das experiências de Mauricio Benvenutti, no Vale do Silício, como a próxima curva.

Benvenutti que também é autor dos Best Sellers Incansáveis e Audaz, nos adverte que, entender o que pode vir após a linha reta que trafegamos, ou seja, após a próxima curva, se faz necessário para continuar competitivo e vivo em seu negócio, para isso, dominar conhecimento suficiente para canibalizar seu próprio produto é a garantia de que sairá a frente na próxima reta para poder acelerar e manter a liderança.

Nos adaptemos então e vamos construir esse futuro, partindo dos desafios que se apresentam no presente, buscando, mesmo que de forma experimental, vislumbrar a próxima curva.