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⭐ Piracicaba, 1 de abril de 2025 ⭐

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São Paulo desafia recomendação da ONU e lança ‘prisômetro’

© Sputnik Brasil /Guilherme Correia

A Prefeitura de São Paulo inaugurou ne terça-feira (25) o “prisômetro”, painel que atualiza em tempo real o número de prisões realizadas na capital paulista por meio do sistema de reconhecimento facial Smart Sampa.

A iniciativa, entretanto, enfrenta críticas da Defensoria Pública de São Paulo e levanta questionamentos com base em recomendações da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o uso da tecnologia.O órgão estadual solicitou a suspensão do uso do sistema durante o Carnaval, alegando preocupações com a vigilância e a privacidade dos cidadãos.

O órgão argumenta que a tecnologia pode impactar o direito de manifestação e ressalta a necessidade de um registro transparente e auditável sobre seu funcionamento.

Durante a inauguração, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) defendeu o uso do sistema e criticou a posição da Defensoria:

“É um verdadeiro absurdo você ter a Defensoria Pública, que é uma instituição tão importante, não defender a população contra os criminosos. Toda a sociedade gostaria de entender o porquê dessa ação, que pode privar a população de uma tecnologia que auxilia na segurança.”

A Prefeitura de São Paulo reforça que o Smart Sampa opera dentro das normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e já resultou na captura de 208 foragidos da Justiça até 25 de janeiro deste ano.

A média é de uma prisão a cada três horas, realizada pela Guarda Civil Metropolitana. No entanto, o projeto segue sob análise do Tribunal de Contas do Município (TCM), que questiona os critérios de coleta e compartilhamento de informações obtidas pelas câmeras.

Além das discussões sobre privacidade, a Organização das Nações Unidas (ONU) já manifestou preocupações sobre o uso indiscriminado de reconhecimento facial, especialmente durante o Carnaval.

O professor de criminologia da Universidade de São Paulo (USP) Mauricio Stegemann Dieter critica a implementação do “prisômetro”, argumentando que sua principal função é propagandística.

Segundo ele, o mecanismo busca transmitir uma sensação de segurança, mas ao mesmo tempo evidencia falhas estruturais na política de segurança pública.

“Na medida em que ele registra muitas prisões, ele revela a sua impotência concreta para enfrentar a questão da criminalidade.”

Dieter alerta para os riscos de arbitrariedade policial durante grandes eventos, como o Carnaval.

“Durante manifestações de rua, sejam como momentos de cultura, de lazer, de catarse, enfim, esse risco aumenta naturalmente porque há maior confusão sobre a identidade das pessoas”, referindo-se às fantasias dos foliões.

“No Carnaval, a polícia precisa ser muito mais reticente, muito mais cautelosa na abordagem policial.”

Outro ponto levantado por Mauricio foi a necessidade de auditoria civil sobre mecanismos de vigilância estatal, como o Smart Sampa. Para ele, a polícia e o Ministério Público não podem ser os únicos responsáveis pela fiscalização, pois são instituições do Estado.

“Minha recomendação aqui seria que a sociedade, por meio de representantes civis, tenham acesso ao aplicativo, ao código-fonte, aos dados coletados, para se certificarem de que isso não ofende direitos fundamentais.”

 

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