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⭐ Piracicaba, 3 de abril de 2025 ⭐

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Foto de João Carlos Goia

João Carlos Goia

Gerente do Senac Piracicaba, jornalista pós-graduado
em mídias e mestre em educação

Web cada vez mais Semântica: um gigante e constante big brother

Os homens criam as ferramentas. As ferramentas recriam os homens.

Analisando a frase do educador e filósofo canadense Marshall McLuhan, escrita em 1995, primórdios da internet no Brasil e boa parte do mundo, conseguimos decifrar o que acontece hoje, com o comportamento das pessoas dentro da grande rede mas, principalmente, como ela nos ajuda e agiliza processos e trabalhos, mas ao mesmo tempo, condiciona, aprisiona e influencia em nossas tomadas de decisões.

Quando iniciamos a utilização da internet, nos satisfazíamos apenas com pesquisas simplistas, sem nenhuma possibilidade de interação. Hoje o jogo é outro. Pesquisamos, criamos, complementamos, subvertemos e compartilhamos conteúdos o tempo todo, independentemente de sua natureza.

Vide os inúmeros canais do Youtube que são sucesso em números de acessos/visualizações, ou ainda, nos milhares memes que circulam numa velocidade espantosa diariamente, seja via aplicativos como whatsapp ou mesmo instagram, tic toc, entre outros.

Um dado curioso atual e, embora as gerações mais novas torçam o nariz, é que o facebook continua sendo a rede com maior número de usuários no mundo e também no Brasil. Claro que isso não representa volume de interação, estamos falando em pessoas com cadastros nessa plataforma.

Em todos esses novos ambientes, as interações com os usuários são necessárias e, de acordo com seus comportamentos, determinam a cada segundo, quais são seus interesses e o que está buscando e precisando, ou ainda, baseado em suas pesquisas, pode influenciar e até lançar tendências.

As empresas automobilísticas, o setor de turismo, vestuário e alimentação, são pioneiras nesse sentido, pois a dinâmica capitalista sempre esteve na vanguarda dessas transformações e, invariavelmente, ditou as tendências e regras de geração de negócios dentro da rede.

Com a popularização das plataformas de vendas, leia-se Mercado Livre, Americanas, Amazon, Shopee, entre outras, hoje, tudo que damos um google ou compartilhamos, conta algo sobre nossa persona para milhares de anunciantes que integram essa estrutura.

Tenho certeza que você já foi surpreendido com algum anúncio de seu interesse atual, ao acessar redes sociais. Estou certo? Pois bem, essa é a nova versão da rede. Bem-vindos a web 4.0, a internet mais semântica que já existiu.

Enquanto a Web 1.0 era estática e depositária e a 2.0 apresentava possibilidades limitadas de compartilhamento, através de blogs ou conteúdos em forma de páginas html, a terceira e, recente quarta geração baseiam-se na interação, na mediação tecnológica no processo de apropriação, enfim, a ideia, seja ela qual forma, pode ganhar forma, seguidores, apreciadores, apoiadores e, o principal, financiadores, tendo como fundo de pano sempre a busca pelo mercado consumidor.

Pensando em educação e avanços tecnológicos, os desafios para professores e instituições são sempre revisitar suas práticas pedagógicas, seus modelos, suas convicções e auxiliar o aluno para que consiga transformar-se num estudante autônomo, responsável, que saiba extrair o melhor disponível na rede, aplicando os filtros necessários.

Avançando nessa reflexão sobre o fazer educacional, podemos ressignificar espaços, metodologias, materiais didáticos e, principalmente, a forma de interação com nossos alunos, aproveitando o melhor desse novo mundo exponencial e líquido.

Mas não se engane, tudo isso tem um preço, mesmo que acreditemos que não pagamos pelo maior número de APPs em nossos celulares: sua privacidade.

Tenha certeza, você hoje vive em um grande e interminável big brother, onde cada passo seu é acompanhado por algoritmos atentos, ávidos por conhecer cada vez e melhor seus hábitos, para então, continuar sua influência, principalmente em vendas ou prestação de serviço.

Então, fique tranquilo e sinta-se como o personagem de Jim Carrey no filme “O Show de Truman”, entendendo que somos os principais protagonistas, nessa grande e ilimitada rede.