A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas.
Inicio este artigo com a histórica frase do filósofo e poeta grego Horácio, que dialoga de forma atualizada com nosso tempo, momento este pautado por uma sociedade intensa, representada pelo convívio de várias gerações no meio corporativo, guiada pela individualidade, competitividade e, ultimamente, polaridade.
Participamos de um momento econômico abarcado por uma nova roupagem, que exige estruturas organizacionais diferenciadas das até então configuradas ― e depende menos da atuação pública em todas as suas esferas.
Debruçando sobre a lente do trabalho, que é um dos principais pilares que essa coluna destina-se, o cenário atual mostra que as carreiras perdem suas linearidades e constâncias, e a instabilidade no mercado de trabalho ganha forças, alterando toda a dinâmica do ambiente corporativo.
Surge um novo mundo, onde tudo é criado e existe para todos, sem limites nem barreiras geográficas; é permeado pela tecnologia, que impulsiona as relações, alavanca o desenvolvimento social, a educação e a economia.
Habitamos um mundo fluido, desvinculado de valores tradicionais, como destaca Zigmunt Bauman em seu conceito de “modernidade líquida”, usando a metáfora do “líquido” ou da fluidez como o principal aspecto do estado dessas mudanças. Um líquido sofre constante mudança e não conserva sua forma por muito tempo, então, assim podemos considerar nossas atuais dinâmicas sociais em todos os seus aspectos.
E é neste novo contexto de transformação constante e diversidade que surge a necessidade latente e urgente, das empresas não apenas se adaptarem, mas também evoluírem e mudarem, caso contrário, não conseguirão sobreviver, pois esse atual momento histórico, configura-se na complexidade do meio empresarial e do mercado financeiro, dos cenários que são transformados do dia para a noite, hora em franco crescimento econômico, hora alcançando crises de escalas internacionais que podem afetar toda cadeia produtiva de um país, como foi com a pandemia, por exemplo.
Tais mudanças frenéticas dificultam e desafiam o trabalho de qualquer gestor, independente de sua idade ou experiência, bem como, dos profissionais em busca de oportunidades, ou mesmo, para manterem-se em suas atuais ocupações.
Neste novo ambiente, abre-se espaço para as relações estabelecidas de forma horizontais, que rompem as tradicionais e vigentes estruturas de hierarquias verticais, tornando-se necessárias, as articulações coletivas que possibilitem o acesso à inteligência de grupos. No cenário contemporâneo, não é aconselhado insistir numa proposta de centralização do poder.
Profissionalizar-se e inovar tornam-se fatores primordiais para a sobrevivência de qualquer empresa ou profissional, visto que as transformações ocorridas nos últimos anos se apresentam como grandes desafios, dificultando expressivamente, as leituras, entendimentos, adaptações e soluções em tempo necessário. Não é para menos, já que tais mudanças ocorrem de forma acelerada, deixando grande parte das pessoas, principalmente os gestores, com aquela sensação de impotência e incertezas, na busca por uma administração assertiva.
Indico definitivamente uma postura focada numa atitude profissional, flexível e adaptativa, frente a esses novos tempos, agindo a partir do autoconhecimento para estabelecer ações e estratégias de desenvolvimento e de planejamento/revisões periódicas, dada toda a volatilidade envolvida, pois agora e, cada vez mais, as certezas serão temporárias, e o presente irá se configurar, via de regra, como a invenção do futuro, e não mais uma projeção do tempo vindouro. Erguei-vos, portanto, e confiai no potencial humano e sua resiliência histórica.