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⭐ Piracicaba, 5 de abril de 2025 ⭐

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Professor da FOP é um dos autores do manual da OMS sobre prevenção do câncer de boca

jornal1

A interrupção dos hábitos de beber e de fumar, combinada com um diagnóstico precoce, é a melhor forma de reduzir a incidência do e a morte por câncer oral. Essa é a principal conclusão do IARC Handbooks Volume 19: Oral Cancer Prevention, um manual de prevenção do câncer de boca elaborado pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, na sigla em inglês) da Organização Mundial de Saúde (OMS). O trabalho, que será disponibilizado em 2023, teve seus resultados mais importantes antecipados em um relatório do The New England Journal of Medicine e contou com a coautoria de Alan Santos-Silva, docente da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Unicamp.

Santos-Silva é um dos dois pesquisadores latino-americanos selecionados para participarem da produção do Handbook, que contou ainda com a contribuição de Luiz Paulo Kowalski, cirurgião oncológico da Universidade de São Paulo (USP). Especialista em estomatologia, área voltada a prevenir, diagnosticar e tratar doenças orais, o professor da FOP relata que, embora as conclusões pareçam óbvias, as políticas de saúde pública ainda falham quanto a essas medidas de prevenção. “Imagina-se que uma pessoa que bebeu ou fumou a vida toda não terá o risco diminuído se parar, mas o trabalho mostrou que poucos anos sem consumir esses produtos reduz de modo impactante as chances de ter a ou morrer da doença”, revela.

O principal motivo para o atraso no diagnóstico do câncer de boca é o fato de a doença não apresentar sintomas em seu estágio inicial, como dores ou sangramentos. Adicionalmente, os sinais de que o paciente pode estar em vias de desenvolver um tumor são frequentemente ignorados pelos profissionais da saúde, que não têm o costume de realizar o exame clínico oral mesmo em grupos de risco. De acordo com o docente Santos-Silva, as chamadas desordens orais potencialmente malignas, que só podem ser identificadas por um profissional bem treinado, são frequentes e antecedem quase todos os tipos de câncer de boca.

“É um exame que toma um minuto e que, se fosse feito nos pacientes de alto risco, de modo consistente por todo clínico, dentista ou médico, reduziria as taxas de morte drasticamente”, adverte. “Qualquer alteração de cor e textura na mucosa, como manchas brancas e vermelhas ou feridas que não cicatrizam em um período entre 7 e 14 dias, são sinais de que esse paciente deve ser encaminhado a um especialista”, aponta o docente, ressaltando que a a biópsia dessas desordens é a única forma de detectar o câncer de boca em seu estágio inicial, uma vez que não existem ferramentas de rastreio para esse tipo de carcinoma.

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